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Doenças

Transtorno Bipolar

28 de dezembro de 2016
Transtorno Bipolar

As alterações emocionais têm sido relatadas há muito tempo, aparecendo nos manuscritos tanto da Grécia quanto da Pérsia antiga. Os transtornos de humor, tais como o transtorno bipolar, são estudados há anos, porém seu conceito já mudou bastante desde sua primeira descrição e, provavelmente, continuará mudando em função de novos estudos. Eles apresentam, como principal sintoma, a alteração do humor ou do afeto, e tendem a ser recorrentes.

Existe atualmente uma imensa literatura de pesquisa sobre o transtorno bipolar na tentativa de se compreender a complexidade clínica, as causas, os fatores psicossociais e também as diferentes formas de tratamento. Alguns estudos tentam descobrir determinados marcadores biológicos específicos para o transtorno bipolar que tornarão mais fácil o diagnóstico e o tratamento da doença no futuro.

O que é o transtorno bipolar?

O transtorno bipolar é bastante comum e apresenta sintomas complexos, causando prejuízo considerável ao paciente e também a todos que estão ao redor, como familiares e pessoas do convívio diário. A doença se manifesta de forma precoce, impactando muito a parte cognitiva e emocional do desenvolvimento do paciente, trazendo diversas dificuldades interpessoais, educacionais, financeiras, profissionais, que acabam deixando sequelas por toda a vida.

O transtorno bipolar é uma condição crônica caracterizada pela recorrência de diferentes episódios maníacos, depressivos e mistos, implicando em episódios de humor em que os pensamentos, as emoções e o comportamento do paciente se alteram visivelmente durante um período considerável, afetando muito o cotidiano do paciente.

O diagnóstico do transtorno bipolar é clínico, sendo baseado em levantamento histórico e no relato de sintomas pelo próprio paciente ou através de amigos e familiares. É importante que se faça um diagnóstico correto para que não se confunda os sintomas com outras doenças, tais como a esquizofrenia, a depressão maior, a síndrome do pânico e os distúrbios de ansiedade.

Causas do transtorno bipolar

As causas do transtorno bipolar são semelhantes às de outras doenças, apresentando uma vulnerabilidade biológica que acaba desenvolvendo determinados sintomas, devido a algumas alterações químicas e de funcionamento do cérebro, alterações hormonais e imunológicas do organismo, a ocorrência de lesões cerebrais, problemas com neurotoxinas, além do uso de drogas estimulantes e depressoras do sistema nervoso central, entre outras.

Acredita-se que o transtorno bipolar se desenvolva a partir de alguns fatores genéticos e também devido a fatores ambientais, também chamados de fatores desencadeadores. Muitas vezes, o transtorno bipolar ocorre em conjunto com outras condições, como os problemas por uso abusivo de álcool, de drogas, além de quadros graves de ansiedade.

Sintomas do transtorno bipolar

O transtorno bipolar é formado por diferentes episódios. Durante os episódios bipolares, o paciente pode passar por diferentes tipos de estados: de mania, hipomania (episódios de euforia), depressivo ou estados mistos.

Nos episódios maníacos, há mudança de humor para o estado excessivamente feliz, exaltado ou irritado, apresentando os sintomas de confiança excessiva, pouca necessidade de dormir, falar mais que o habitual, perda da concentração, busca por estímulos constantes, entre outros. Podem também ocorrer sintomas psicóticos, como alucinações, delírios, pensamentos desorganizados e confusão mental.

Nos episódios hipomaníacos, há a presença de sintomas semelhantes aos de mania, porém de forma mais leve e não existem sintomas psicóticos. Já nos episódios depressivos, ocorrem sintomas de humor deprimido, tristeza, perda de interesse ou prazer nas atividades, falta de energia, cansaço, alterações apetite e de peso, problemas de sono, sentimentos de inutilidade, excesso de culpa, dificuldade de concentração, pensamentos ruins com frequência, entre outros.

Por fim, nos episódios mistos, a pessoa apresenta sintomas tanto de mania quanto de depressão, de forma simultânea, durante pelo menos uma semana, causando um desequilíbrio significativo no cotidiano e sendo necessária a hospitalização. Ocorrem, neste caso, alterações de humor rápidas (feliz, irritado, triste), inquietude, dificuldade para dormir, além de ter a presença de sentimentos de culpa e pensamentos suicidas.

Transtorno bipolar tem cura?

O transtorno bipolar não é uma doença que tenha cura, o que existe é uma forma efetiva de controle dos sintomas para que os pacientes tenham mais qualidade de vida e possa exercer melhor suas atividades diárias.

A maioria dos tratamentos disponíveis continua, infelizmente, imprecisa tanto em relação à eficácia quanto em relação aos efeitos colaterais. Ainda não existe uma cura para o transtorno bipolar e muitos dos pacientes questionam o fato de não se sentirem tão bem com os tratamentos indicados, já que ocorrem alterações na personalidade e nas características dos mesmos.

Tratamento para o transtorno bipolar

Deve-se compreender que muitos dos pacientes com transtorno bipolar sentem culpa ou vergonha, muitas vezes negando a existência do problema ou acreditando em soluções de curto prazo. Portanto, o objetivo de todos os tratamentos deve sempre considerar os aspectos tanto físicos como psicológicos, criando-se uma estratégia de longo prazo (profilaxia) com foco na diminuição do impacto da doença, além dos tratamentos na cognição e no funcionamento social e ocupacional.

Entre os principais tratamentos disponíveis atualmente estão o uso de medicamentos como o lítio, os agentes anticonvulsivantes, os ansiolíticos e os antipsicóticos de segunda geração, que ajudam a manter o humor estável dos pacientes, trazendo melhor qualidade de vida. A associação do lítio com antidepressivos e anticonvulsivantes tem demonstrado maior eficácia para prevenir recaídas.

No entanto, a combinação do uso de medicamentos com a psicoterapia é considerada ainda a melhor maneira de se alcançar bons resultados, pois esta oferece suporte para o paciente superar todas as dificuldades em função das características da doença, ajudando a prevenir crises e promovendo melhor adesão ao tratamento com medicamentos que deve ser mantido por toda a vida.

Os tratamentos psicológicos que demonstraram maiores benefícios incluem a psicoeducação, a terapia cognitivo-comportamental, a terapia focada na família, a terapia interpessoal de ritmo social, entre outros. Os benefícios destas terapias incluem a redução de certos tipos de recorrências bipolares, do tempo da doença, da hospitalização e melhoria considerável do desempenho nas atividades cotidianas.

Outra questão fundamental para o tratamento é a redução dos fatores desencadeadores que podem aumentar o risco de uma pessoa desenvolver sintomas. Para tanto, é necessário se fazer alguns ajustes no estilo de vida e nos objetivos dos pacientes.

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