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Doenças

Ameba e amebíase: como se pega e como tratar

10 de agosto de 2017
Folhas de alface e tomates sendo lavados em água corrente na pia da cozinha
Folhas de alface e tomates sendo lavados em água corrente na pia da cozinha

A ameba que causa doença no intestino humano é a Entamoeba histolytica, e a infecção por ela chama-se amebíase. Ela se pega por água e alimento contaminados, e a maior parte das pessoas infectadas não sente nada. Este texto explica o que é, quais sintomas aparecem quando aparecem, como se trata e o que de fato previne.

O que é ameba

Ameba é um protozoário, um ser de uma célula só. Existem muitas espécies no ambiente, e a maioria não causa doença nenhuma no ser humano. A que importa aqui é a Entamoeba histolytica, que consegue invadir a parede do intestino grosso.

Ela circula sob duas formas:

  • o cisto, resistente, que sai nas fezes e sobrevive no ambiente. É a forma que transmite;
  • o trofozoíto, a forma ativa, que vive no intestino e é a que causa lesão.

Existe também a Entamoeba dispar, praticamente idêntica ao microscópio e inofensiva. Ela é bem mais comum, e boa parte dos exames que encontram "ameba" nas fezes está vendo essa. Isso explica por que nem todo achado de ameba em exame vira tratamento.

Como se pega amebíase

A transmissão é fecal-oral: os cistos saem nas fezes de alguém infectado e chegam à boca de outra pessoa. Os caminhos:

  • água não tratada, para beber, cozinhar ou lavar alimento;
  • verdura e fruta cruas mal higienizadas;
  • alimento manipulado por alguém que não lavou as mãos;
  • alimento exposto a moscas e baratas;
  • contato oral-anal.

Falta de saneamento é o fator que mais pesa, e é por isso que a amebíase é comum em algumas regiões e rara em outras dentro do mesmo país.

Fatores de risco

  • morar ou viajar para área sem saneamento adequado;
  • gravidez, idade avançada e desnutrição, que agravam o quadro;
  • imunidade baixa;
  • uso de corticoide, que pode agravar uma infecção não diagnosticada.

Sintomas da amebíase

Cerca de nove em cada dez pessoas infectadas não têm sintoma nenhum e continuam eliminando cistos. Quando a doença se manifesta, ela se instala aos poucos, ao longo de uma a duas semanas.

  • diarreia, que é o sintoma principal;
  • cólica abdominal, mais no lado esquerdo e embaixo;
  • vontade de evacuar sem conseguir, com esforço;
  • fezes com muco e sangue, o quadro chamado de disenteria amebiana;
  • falta de apetite e perda de peso;
  • febre, que costuma ser baixa ou ausente;
  • cansaço.

O detalhe que distingue a amebíase de uma diarreia comum é o começo lento e a presença de sangue com pouca ou nenhuma febre. Diarreia bacteriana costuma começar de repente e vir com febre alta.

Complicações

São incomuns, e é por elas que se trata:

  • abscesso hepático amebiano, o mais importante. A ameba alcança o fígado pela circulação e forma uma coleção de pus. Dá dor no lado direito da barriga embaixo das costelas, febre e perda de peso, e pode aparecer meses depois da diarreia, ou até sem diarreia nenhuma;
  • colite fulminante e perfuração do intestino, raras e graves;
  • ameboma, uma massa inflamatória que pode ser confundida com tumor no exame de imagem.

Diarreia que se repete ou que muda de padrão merece atenção mesmo sem sangue, e o mesmo vale para as demais queixas de intestino e digestão.

Diagnóstico

O exame de partida é o parasitológico de fezes, em geral em três amostras de dias diferentes, porque a eliminação não é constante. Ele encontra o cisto ou o trofozoíto.

A limitação já mencionada é importante: o microscópio não separa a histolytica da dispar inofensiva. Quando essa distinção muda a conduta, existem exames específicos, de pesquisa de antígeno nas fezes ou de biologia molecular.

Na suspeita de abscesso hepático, o exame é de imagem, ultrassom ou tomografia, junto com sorologia.

Tratamento da amebíase

É feito com antiparasitário, e é eficaz. O que importa mais do que o nome do remédio:

  • o tratamento da forma invasiva costuma ter duas etapas: um medicamento que age nos tecidos, e depois outro que elimina os cistos que ficam na luz do intestino. Pular a segunda etapa mantém a pessoa transmitindo;
  • a escolha, a dose e a duração saem da receita, e mudam com a idade, o peso e a forma da doença, e por isso não estão escritas aqui;
  • a hidratação é parte do tratamento, e na diarreia importante ela é o que evita a internação;
  • não usar antidiarreico que paralisa o intestino por conta própria em diarreia com sangue: ele pode agravar o quadro;
  • na gravidez o tratamento tem regras próprias. Veja remédios na gravidez;
  • o exame de controle depois do tratamento confirma que a infecção acabou.

Portador sem sintoma às vezes também é tratado, justamente para interromper a transmissão, e essa decisão é do médico.

Vale registrar uma confusão comum: antiparasitário não é antibiótico. São classes diferentes, agem sobre agentes diferentes, e uma não substitui a outra.

Prevenção

  • beber água tratada, filtrada ou fervida. Em viagem para área de risco, também evitar gelo de origem desconhecida;
  • lavar bem verdura e fruta, e descascar quando for comer cru;
  • lavar as mãos antes de comer, antes de cozinhar e depois do banheiro;
  • evitar alimento de rua exposto;
  • não usar fezes humanas como adubo;
  • tratar quem está infectado em casa, mesmo sem sintoma, quando indicado.

A cloração comum da água não elimina o cisto de forma confiável, o que reforça a fervura e a filtragem como as medidas que de fato funcionam em casa.

Quando procurar um médico

  • diarreia com sangue ou muco;
  • diarreia que passa de três dias, ou que volta depois de melhorar;
  • dor abdominal forte com barriga distendida;
  • febre com dor no lado direito embaixo das costelas, sobretudo depois de um episódio de diarreia meses antes;
  • sinais de desidratação: boca seca, urina escura e escassa, tontura ao levantar;
  • perda de peso sem explicação;
  • antes de tomar antiparasitário por conta própria, porque cada parasita tem o seu, e o exame diz qual é. Veja também lombriga e ascaridíase.

Perguntas frequentes sobre ameba e amebíase

O que é ameba?

É um protozoário, um organismo de uma célula só. A espécie que causa doença no intestino humano é a Entamoeba histolytica, e a infecção por ela se chama amebíase.

Quais são os sintomas de ameba?

A maioria das pessoas não tem sintoma. Quando aparece, é diarreia de início lento, cólica, vontade de evacuar sem conseguir e fezes com muco e sangue, em geral com pouca ou nenhuma febre.

Amebíase e ameba são a mesma coisa?

Ameba é o parasita; amebíase é o nome da doença que ele causa. É a mesma diferença que existe entre o vírus e a virose.

Como se pega ameba?

Engolindo os cistos, que saem nas fezes de alguém infectado e contaminam a água e o alimento. Não se pega por contato casual nem pelo ar.

Ameba tem cura?

Tem. O tratamento com antiparasitário é eficaz, e na forma invasiva costuma ter duas etapas: uma que age no tecido e outra que elimina os cistos do intestino.

Encontraram ameba no meu exame de fezes. Preciso tratar?

Nem sempre. O microscópio não separa a Entamoeba histolytica, que causa doença, da Entamoeba dispar, que é inofensiva e mais comum. Quem avalia o achado junto com os sintomas é o médico.

Ameba pode atacar o fígado?

Pode. O abscesso hepático amebiano é a complicação mais importante e dá dor no lado direito da barriga, febre e perda de peso. Ele pode surgir meses depois da diarreia, e até em quem não teve diarreia.

Leia também: Leucocitose - O que é? Conheça as causas, sintomas e diagnóstico.

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