Linfoma


O sistema linfático é formado por uma rede de vasos que contêm uma substância chamada de linfa que é responsável pelo transporte dos linfócitos (divididos em linfócitos-B e linfócitos-T), que, por sua vez, são os glóbulos brancos especializados em combater as infecções. Estes glóbulos são responsáveis por produzir anticorpos e por destruir os micro-organismos nocivos no organismo, tais como as bactérias e os vírus, sendo parte fundamental do sistema imunológico. O linfoma é uma doença que pode acontecer no sistema linfático e que deve ser corretamente diagnosticada e tratada.

O que é linfoma?

O termo linfoma é utilizado para especificar os tipos de câncer relacionados ao sistema linfático. Ele se origina nos linfócitos-T e nos linfócitos-B que estão em desenvolvimento, multiplicando-se sem qualquer ordem específica e formando os tumores, ou seja, os grupos de células cancerígenas. Os linfócitos malignos passam, então, a expulsar os linfócitos normais e o sistema imunológico do paciente fica comprometido, causando uma série de sintomas.

A Organização Mundial da Saúde classificou 35 tipos diferentes de linfoma, sendo estes divididos em linfoma de Hodgkin, com um total de cinco deles, e em linfoma de não-Hodgkin, onde estão classificados e agrupados todos os outros tipos.

Sintomas do Linfoma

Existem pessoas que não apresentam sintomas quando diagnosticadas com linfoma de Hodgkin e, neste caso, a doença acaba sendo identificada por acaso, normalmente através de um raio-X do tórax, feito em exames de rotina. Quando a doença apresenta sintomas, há a presença de inchaço firme de um linfonodo, normalmente no pescoço, nas axilas ou na virilha, não apresentando dor no local. Nem sempre a presença de gânglios inchados tem relação com a doença, podendo ser também causada por uma infecção, como no caso das dores de garganta.

Outros sintomas comuns do linfoma de Hodgkin podem ser a presença de febre, o suor noturno excessivo, a perda de peso sem motivo aparente, a fadiga persistente, falta de energia, coceira generalizada, entre muitos outros. O correto diagnóstico da doença deve sempre ser feito por um médico especializado para evitar equívocos, já que estes sintomas também podem estar relacionados a outros problemas de saúde. A confirmação do diagnóstico para linfoma de Hodgkin é feita através de biópsia no local do linfonodo para verificação das células cancerígenas.

Tratamento para o Linfoma

O tratamento para o linfoma de Hodgkin irá depender do estágio da doença, assim como da idade e da saúde geral do paciente. Normalmente o tratamento irá envolver a quimioterapia ou a radioterapia, podendo também haver uma combinação dos dois. O transplante de medula óssea ou de células-tronco pode ser outra forma de tratamento, sendo avaliada para cada caso.


Da mesma forma, o tratamento para o linfoma de não-Hodgkin deverá ser indicado de acordo com o estágio da doença, fazendo-se o diagnóstico com o uso dos mesmos métodos. O tratamento é bastante parecido com do linfoma de Hodgkin, utilizando-se também a quimioterapia e a radioterapia como recursos, sendo diferente somente nos remédios quimioterápicos utilizados e nas indicações de radioterapia.

Linfoma tem cura?

linfoma

O índice de cura do linfoma de Hodgkin, quando realizado com tratamento adequado, fica em torno de 75%, sendo maior no caso de pacientes mais jovens que acabam sendo diagnosticados em estado precoce da doença. Nos casos de linfomas não-Hodgkin, que acontecem com maior frequência, em torno de 5 vezes mais do que o linfoma de Hodgkin, sua taxa de cura acontece em cerca de 25% dos pacientes. As duas doenças respondem bem aos tratamentos com quimioterapia e com radioterapia.

A apresentação clínica do linfoma não-Hodgkin pode variar bastante, apresentando, porém, comportamento diferente. As formas menos agressivas deste linfoma normalmente são incuráveis, podendo sofrer uma transformação para a forma mais agressiva que, em muitos casos, leva o paciente a óbito em poucas semanas. Pode, no entanto, haver uma cura para este linfoma se o tratamento for iniciado de forma precoce e com terapia adequada.

Linfoma de Hodgkin

O linfoma de Hodgkin se diferencia dos linfomas de não-Hodgkin em função da presença de um tipo especial de célula cancerígena chamada de célula de Reed-Sternberg, que pode ser identificada através de análise ao microscópio. Este linfoma recebeu o nome em homenagem ao Dr. Thomas Hodgkin, um médico britânico que descobriu a doença em 1832.

O linfoma de Hodgkin pode afetar um único linfonodo ou um grupo deles, podendo também afetar outras partes do corpo, tais como o baço, o fígado ou a medula óssea, chegando a se espalhar através do sistema linfático e do sangue quando se encontra em estágio mais avançado.          Não se sabe ao certo as causas do linfoma de Hodgkin e, como diversos tipos de câncer, estas podem ter relação com o dano causado nas proteínas que controlam o crescimento e a divisão celular, podendo ser fator fundamental no desenvolvimento da doença e das células cancerígenas.

Existem evidências de que as pessoas que tenham o sistema imunológico debilitado podem ter maior propensão de desenvolver a doença, como é o caso das pessoas infectadas pelo vírus HIV ou que tenham feito uso de drogas que afetem a função do sistema imunológico (como os imunossupressores), como no caso das pessoas submetidas a um transplante de coração, de pulmão ou de outro órgão. A infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV) também pode ser uma das causas para o desenvolvimento do linfoma de Hodgkin.

Linfoma Não-Hodgkin

O linfoma de não-Hodgkin representa a maior parte dos casos de linfomas, sendo também derivado de linfócitos-B (apenas 10% dos casos se originam nos linfócitos-T ou NK). Diferentemente do linfoma de Hodgkin, o linfoma de não-Hodgkin não apresenta um tipo celular característico e também há uma quantidade menos significativa de células inflamatórias no tecido tumoral.

As causas deste tipo de linfoma são variadas, podendo estar relacionadas a alguma deficiência imune (como no caso da infecção por HIV ou no pós-transplante), a desordens autoimunes (como no caso da tireoidite de Hashimoto), alguns agentes infecciosos (como a Helicobacter pylori e o vírus Epstein-Barr), assim como a exposição a agentes químicos e físicos, tais como os inseticidas, os anticonvulsivantes, entre outros.


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