Anvisa aprova remédio para linfoma folicular avançado
Lunsumio é indicado a pacientes adultos que já fizeram ao menos dois tratamentos anteriores contra o câncer no sistema linfático
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Lunsumio (mosunetuzumabe), indicado a pacientes adultos com linfoma folicular recidivado ou refratário, ou seja, aqueles cujo câncer voltou ou não respondeu a tratamentos anteriores. A autorização foi publicada na Resolução RE nº 3.289/2026, no Diário Oficial da União, em 24 de agosto de 2026.
O linfoma folicular é um tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, rede de vasos e gânglios responsável por parte da defesa do organismo. Costuma ter crescimento lento e pode comprometer gânglios linfáticos, medula óssea e outros órgãos ao longo do tempo.
Quem pode ser tratado com o novo medicamento
De acordo com a bula aprovada pela Anvisa, o Lunsumio é destinado a pessoas que já passaram por pelo menos duas linhas de tratamento anteriores para o linfoma folicular e tiveram recidiva da doença ou não obtiveram resposta adequada. Não se trata, portanto, de um medicamento de primeira escolha, mas de uma alternativa para casos mais resistentes.
Entre os sinais que costumam acompanhar esse tipo de câncer estão febre, fadiga persistente, suores noturnos, emagrecimento sem explicação aparente e nódulos indolores no pescoço, nas axilas ou na virilha. A presença desses sintomas não confirma o diagnóstico por conta própria: qualquer suspeita deve ser avaliada por um médico, que solicitará exames específicos.
Como funciona o mosunetuzumabe
O princípio ativo do medicamento é um anticorpo monoclonal biespecífico, uma proteína produzida em laboratório capaz de se ligar a dois alvos diferentes ao mesmo tempo. No caso do Lunsumio, uma das pontas se conecta a uma proteína chamada CD20, presente nas células B doentes, enquanto a outra se liga a receptores CD3, encontrados em células de defesa do próprio corpo conhecidas como linfócitos T.
Essa dupla conexão aproxima as células de defesa do tumor e estimula o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células cancerígenas. É uma abordagem diferente da quimioterapia tradicional, já que direciona a resposta imune especificamente contra o câncer.
Como é aplicado o tratamento
O medicamento se apresenta como solução injetável pronta para uso, em frascos de 5 mg/0,5 mL ou 45 mg/1 mL. A aplicação é feita por via subcutânea, isto é, por injeção logo abaixo da pele, o que costuma tornar o procedimento mais rápido do que infusões intravenosas prolongadas, comuns em outros tratamentos oncológicos.
A decisão sobre o esquema de aplicação, a duração do tratamento e o acompanhamento durante o uso cabe exclusivamente à equipe médica responsável pelo paciente. A Anvisa aprova o registro do produto com base em critérios de segurança e eficácia, mas não substitui a avaliação individual feita pelo oncologista.
O que fazer na prática
Pacientes com diagnóstico de linfoma folicular que já passaram por tratamentos anteriores sem sucesso podem consultar seu oncologista para saber se o Lunsumio é indicado para o caso específico. A elegibilidade depende de fatores clínicos individuais, histórico de tratamentos e avaliação médica detalhada.
Ainda não há informações públicas sobre o preço do medicamento no mercado brasileiro nem sobre prazos de incorporação pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou cobertura por planos de saúde. Esses pontos costumam ser definidos em etapas posteriores à aprovação sanitária, e o paciente deve buscar orientação junto ao médico assistente e à operadora de saúde, quando aplicável.
O que muda para quem convive com a doença
A aprovação amplia o leque de opções para uma parcela específica de pacientes, aqueles com a forma mais resistente do linfoma folicular, que antes contavam com alternativas mais limitadas depois de esgotadas as terapias convencionais. Isso não significa acesso imediato ou uniforme ao medicamento em todo o país, já que fatores como disponibilidade em farmácias, cobertura por convênios e eventual entrada em listas do SUS ainda não foram esclarecidos publicamente.
Quem tem diagnóstico de linfoma folicular recidivado ou refratário deve acompanhar essas definições diretamente com o médico responsável pelo tratamento, que poderá informar se o paciente se enquadra no perfil indicado pela bula e quais são os próximos passos para eventual acesso ao medicamento.