Hipertireoidismo – O que é? Causas, sintomas, diagnóstico e tratamentos


Os hormônios produzidos pela glândula tireoide são fundamentais em diversos processos do metabolismo, afetando praticamente todos os órgãos do corpo. Quando esta glândula não funciona corretamente, pode acontecer uma produção excessiva de hormônios, causando um problema chamado de hipertireoidismo e gerando um desequilíbrio na maneira como o corpo armazena e gasta energia.

Os problemas relacionados à tireoide são bastante comuns e alguns estudos mostraram as mulheres normalmente são mais afetadas do que os homens e que estes problemas geralmente ocorrem em pessoas acima dos 40 anos.

O que é o hipertireoidismo?

O hipertireoidismo é caracterizado pelo aumento da síntese e da liberação dos hormônios tireoidianos pela glândula tireoide. Esta glândula fica localizada na frente do pescoço (região anterior) e tem um formato parecido com o de uma borboleta. Ela fica posicionada em cima da traqueia, com um lobo de cada lado, sendo responsável pela produção de dois hormônios (T3 e T4), que participam do controle da velocidade do metabolismo, influenciando em diversos processos do corpo e também nas atividades do sistema nervoso.

Apesar de muitas pessoas utilizarem o termo tireotoxicose para se referir ao hipertireoidismo, estes são diferentes. A tireotoxicose se refere à síndrome clínica que acontece devido ao excesso de hormônios tireoidianos circulantes, que pode acontecer pela hiperatividade da glândula tireoide, ou seja, em função do hipertireoidismo, podendo, porém, ocorrer por outros fatores.

Quais as causas do hipertireoidismo?

Para que se possa identificar adequadamente a causa do problema é importante que se faça um diagnóstico com o médico endocrinologista que é feito de maneira bastante simples através de um exame de sangue para que se faça a verificação da concentração dos hormônios T3 e T4. Caso haja uma concentração elevada dos mesmos, fica caracterizado o problema de hipertireoidismo.

Existem diversas possíveis causas para o hipertireoidismo e a tireotoxicose, entre elas:


  • Doença de Graves:

A doença de Graves é uma doença autoimune que afeta a tireoide, sendo uma das causas mais comuns do hipertireoidismo. Entre os diversos sintomas desta doença estão o espessamento da pele nas canelas e a protuberância dos olhos. Entre 25% e 80% das pessoas com a doença de Graves desenvolvem problemas oftálmicos;

  • Bócio multinodular tóxico:

Com o aparecimento de nódulos na tireoide, pode ocorrer o aumento de volume no local, que é a formação do bócio, implicando na produção excessiva de hormônio tireoideano, causando, assim, o hipertireoidismo. A presença de somente um nódulo tóxico também pode afetar a produção hormonal e causar o problema;

  • Tireoidite subaguda:

A tireoidite subaguda, também conhecida como tireoidite de De Quervain, pode ocorrer após algum processo infeccioso viral, como a gripe ou outra infecção das vias aéreas. Ela pode causar febre e bastante dor na região onde está localizada a glândula tireoide. Em função disso, pode haver a liberação de maior quantidade de hormônio no sangue, causando o hipertireoidismo;

  • Tireoidite pós-parto:

Em torno de 5% a 10% das mulheres podem ter hipertireoidismo alguns meses após o parto. Normalmente, o distúrbio permanece por alguns meses somente, mas, em alguns casos, a tireoide não se recupera e o quadro de hipertireoidismo continua;

  • Ingestão excessiva de iodo:

Tanto a falta quanto o excesso de iodo na alimentação podem causar distúrbios no metabolismo da tireoide. O iodo está presente no sal de cozinha, assim como em algas, frutos do mar, peixes e também em alguns medicamentos;

  • Superdosagem de hormônio tireoidiano:

Pessoas que recebam doses excessivas de hormônio tireoidiano podem desenvolver hipertireoidismo, sendo sempre necessária uma avaliação antes de qualquer reposição hormonal e também sempre com o acompanhamento médico;

Quais os sintomas do hipertireoidismo?

hipertireoidismo

Os principais sintomas do hipertireoidismo são:

  • Nervosismo,
  • Sudorese excessiva,
  • Intolerância ao calor,
  • Palpitação,
  • Fadiga,
  • Perda de peso,
  • Dispneia (dificuldade de respirar),
  • Fraqueza,
  • Aumento do apetite,
  • Queixas oculares,
  • Edema de membros inferiores,
  • Hiperdefecação,
  • Diarreia,
  • Distúrbios menstruais,
  • Anorexia,
  • Apresentando também sinais de taquicardia,
  • Bócio (aumento de volume da glândula tireoide),
  • Tremor,
  • Pele quente e úmida,
  • Sopro na tireoide,
  • Fibrilação atrial,
  • Ginecomastia (inchaço do tecido mamário masculino)
  • Eritema palmar (palmas das mãos vermelhas).

Percebe-se que as manifestações clínicas têm correlação com os níveis hormonais apresentados por cada caso. Os sintomas de taquicardia e ansiedade, por exemplo, são mais evidentes em pacientes jovens e que apresentem bócios volumosos. A perda de peso também é um sintoma frequente, porém, no caso de pacientes mais jovens, podendo ocorrer ganho ponderal devido ao aumento de apetite. Nas pessoas idosas, há maior predominância dos sintomas cardiopulmonares, tais como a taquicardia, a fibrilação atrial, o edema e a dispneia.

Tratamentos para o hipertireoidismo

A escolha do melhor tratamento para o quadro de hipertireoidismo deverá ser feita após uma avaliação sobre as causas da doença, a idade do paciente, sua condição física, assim como as diversas informações sobre o problema. Na presença de algum dos sintomas relacionados acima, deve-se buscar um diagnóstico com um médico endocrinologista que irá definir o tratamento mais adequado.

Veja, a seguir, os principais tratamentos do hipertireoidismo:

  • Uso de medicamentos antitireoidianos:

Estes medicamentos ajudam a reduzir a produção dos hormônios da tireoide. Os dois medicamentos antitireoidianos mais conhecidos são o metimazol e o propiltiouracil que bloqueia a conversão do hormônio T4 para o hormônio T3 que é mais ativo metabolicamente. Existem alguns riscos no uso destes medicamentos como a supressão ocasional na produção de glóbulos brancos do sangue pela medula óssea, prejudicando o sistema imunológico;

  • Uso de betabloqueadores:

Os betabloqueadores são utilizados somente para auxiliar no alívio dos sintomas, pois não influenciam na produção dos hormônios da glândula tireoide. O propranolol é um dos mais utilizados, auxiliando na redução da pressão arterial e controlando alguns sintomas como tremores, ansiedade e taquicardia;

  • Uso de iodo radioativo:

O tratamento com iodo radioativo produz inicialmente uma tireoidite intensa, seguida por progressiva atrofia glandular, resultando na destruição da capacidade de síntese da glândula tireoide. Este tratamento é bastante indicado para os casos de hipertireoidismo causados por doença de Graves. A maior questão deste tipo de tratamento é que o paciente precisará tomar comprimidos de hormônio tireoidianos para o resto da vida, mantendo, assim, os níveis normais;

  • Remoção cirúrgica da tireoide:

Outro tratamento pode ser a remoção da tireoide por cirurgia, porém, este caso só é indicado quando outros tratamentos como o uso de medicamentos, por exemplo, não funcionarem.


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