Gravidez ectópica: o que é? como prevenir?


Também conhecida como gravidez tubária. A gravidez ectópica é uma gestação que se desenvolve fora do útero e em sua forma mais comum ocorre dentro das trompas de Falópio (ou tubas uterinas). Em casos menos comuns, ocorre em outras estruturas, como cavidade abdominal, colo do útero ou ovário.

Entenda, neste artigo, sobre este tipo de gestação que registra mais de 150 mil casos por ano no Brasil e corresponde a cerca de 1 a 2% de todas as gravidezes.

Fatores de risco para gravidez ectópica

Toda mulher sexualmente ativa está sujeita a ter uma gravidez fora do útero. A probabilidade aumenta em algumas circunstâncias que geralmente apresentam fatores relacionados, direta ou indiretamente, a infecções ou problemas anatômicos das trompas. Entre eles:

  • Histórico de doença inflamatória pélvica;
  • Histórico de endometriose tubária;
  • Histórico de problemas de fertilidade;
  • Histórico de aborto;
  • Histórico de DSTs;
  • Trompas de Falópio com formato incomum.

Quando a mulher já teve uma gravidez ectópica, seu risco aumenta de 1% para 10%.

Embora raras, as chances de ter esse tipo de gestação são altas quando ela ocorre após cirurgia de laqueadura ou por uso inadequado do DIU (dispositivo anticoncepcional que é inserido no útero, por um médico).


Outro fator que eleva moderadamente o risco desse tipo de gravidez é a fertilização in vitro (FIV), neste caso, é importante fazer um ultrassom para verificar onde o embrião se implantou.

Mais um fator que aumenta os riscos de ter uma gravidez fora do útero é o tabagismo.

Sintomas da gravidez ectópica

Os sintomas dessa gravidez, no início da gestação, são comuns aos que ocorrem na gravidez tópica como atraso menstrual, enjoo matinal e até mesmo acusar o teste de gravidez como positivo.

Na maioria dos casos, os primeiros sinais de que a gravidez está ocorrendo fora do útero surgem por volta da 6ª a 8ª semana de gestação. Algumas mulheres, por não apresentarem sinais ou sintomas iniciais, nem sequer imaginam que estão grávidas.

Os sintomas mais comuns incluem leve sangramento vaginal, dores abdominais ou pélvicas. Mas outros sintomas podem se desenvolver, conforme o progresso da gravidez.

Algumas mulheres podem sentir dores no abdômen, parte lateral do corpo ou pélvis, que podem piorar com o movimento ou esforço; ter sangramento vaginal anormal ou irregular; sentir dores durante a relação sexual ou exame pélvico; queixar-se de dor no ombro, indício de que uma hemorragia interna pode está irritando outros órgãos do corpo; sentir um aumento na transpiração, ter tonturas ou sensação de desmaio, diarreia ou sangue nas fezes.

Diagnóstico da gravidez ectópica

Gravidez ectópica

É importante consultar imediatamente um médico especialista (ginecologista ou obstetra) ao sentir qualquer um desses sintomas, especialmente se estiver em algum grupo de risco. Pois, como é difícil diagnosticar apenas pelos sintomas, na maioria dos casos, o diagnóstico é obtido após exames de sangue, exame pélvico e ultrassonografia pélvica transvaginal ou abdominal. Às vezes, por procedimento cirúrgico por laparoscopia.

Um ou dois exames de sangue serve para detectar o nível do hormônio gonadotrofina coriônica (hCG), esses exames além de indicarem gravidez podem sinalizar que esta é ectópica, se os níveis de hCG estiverem abaixo do normal.

O exame pélvico detecta alguma obstrução nas trompas de Falópio, uma massa na região pélvica ou um alargamento menor que o esperado no útero para uma gravidez.

A ultrassonografia pélvica transvaginal ou abdominal localiza a implantação do embrião. Caso o resultado da ultra-som seja inconclusivo e o médico continuar suspeitando de gravidez ectópica, um exame laparoscópico pode ser pedido. Neste exame, através de um corte, uma câmera é inserida para verificar as tubas uterinas.

O médico pode pedir para esperar alguns dias e repetir algum desses exames, para conseguir diagnosticar com certeza.

Tipos de tratamento

Como se trata de uma gravidez sem futuro, todas as formas de tratamento objetivam a retirada do embrião antes que surjam maiores complicações. A escolha do tipo de tratamento depende de quão cedo esse tipo de gravidez for diagnostica. Se não tratada, existe um alto risco de morte da grávida.

Para tratar essa gravidez há tratamento medicamentoso e cirúrgico mas, quanto mais cedo ela for diagnosticada, maior as chances de tratar apenas com medicamentos que impeçam o embrião de desenvolver e involua. Habitualmente, a droga utilizada é o metotrexato que é injetado por via intramuscular em dose única.

Este tratamento, provavelmente será usado em casos que os níveis do hormônio hCG estão baixos (menos de 5.000 mlU/mL), o embrião esteja com menos de 4 cm e não apresente atividade cardíaca.

Apesar de poupar a grávida de uma incisão e anestesia geral, tratar com medicamentos pode causar efeitos colaterais (consulte a bula). E, afim de verificar que o tratamento está funcionando, há uma série de exames de sangue e o acompanhamento médico. Caso os níveis de hCG não caiam ou o sangramento não pare após a medicação, normalmente será necessário fazer uma cirurgia.

A cirurgia é o tratamento necessário quando essa gravidez está apresentando graves sintomas, altos níveis de hCG ou sangramento. Os medicamentos geralmente não funcionam nesses casos e torna-se mais provável uma ruptura com o passar do tempo. Quando possível, é feita a cirurgia por via laparoscópica com o objetivo de remover o embrião e também reparar a área danificada da trompa.

Em casos emergenciais, a cirurgia aberta tradicional é a mais indicada e as vezes pode ser preciso remover a trompa para controle da situação, quando não é possível repará-la. Caso a trompa do outro lado esteja saudável, a mulher pode engravidar posteriormente.

Em contrapartida, quando esse tipo de gravidez parece estar abortando por conta própria, há chances de não precisar de tratamento. Para isso, o médico se certificará de que os níveis de hCG estão caindo. Isso se chama conduta expectante. Se for preciso cirurgia, pode haver a necessidade de um tratamento com metotrexato posteriormente.

Como prevenir

Não há como impedir que uma gravidez se desenvolva fora do útero, o que é possível fazer é apenas diminuir alguns fatores de risco. Limitando o número de parceiros sexuais e usar preservativo, por exemplo, ajuda a prevenir DSTs e reduz o risco de doenças inflamatórias pélvicas. E, caso já tenha vivenciado uma gravidez ectópica, converse com seu médico antes de engravidar novamente.


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